terça-feira, 27 de julho de 2010

CYNDI LAUPER TEM O AVAL DE MÚSICOS DO GÊNERO

Memphis blues, 11º disco de Cyndi Lauper, é, como o nome indica, um álbum de blues. E é mais um dos passos difusos da cantora que, mesmo sendo conhecida pelo punhado de canções pop perfeitas que marcaram sua carreira nos anos 80 (True colors, Time after time, She bop), sofreu tantas mudanças com o passar dos anos que ficou irreconhecível para muita gente. Mas é um bom passo, cheio de credibilidade. Nas últimas duas décadas, Cyndi abraçou o protesto contra a discriminação de minorias (Sisters of avalon, de 1996), gravou canções de Natal (Merry Christmas... Have a nice life, de 1998), tomou rasteiras do mercado (sua gravadora faliu quando o disco Shine, de 2001, já estava pronto) e se voltou para sons mais orgânicos, revisitando clássicos americanos, temas de jazz e relendo seus próprios hits em versões acústicas. Em 2008, pareceu querer dar uma de Madonna, fazendo um disco de pista de dança, o mais-ou-menos Bring ya to the brink.

Faz falta a Cyndi focar numa persona pop que a leve além dos projetos – e que a faça cumprir a promessa musical que foi no começo dos anos 80. Aos fãs e curiosos, Memphis blues oferece a descoberta de uma faceta diferente e boa da cantora, que arranha a garganta relendo clássicos blueseiros do gaitista Little Walter (Just your fool, com Charles Musselwhite na diatônica), Albert King (Down don't bother me, também com Musselwhite), Memphis Slim (Mother earth) e outros. Crossroads, clássico de Robert Johnson, ganha a guitarra e a voz do ex-menino prodígio Johnny Lang. Outros grandes nomes (e põe grandes nisso) dão seu aval e tornam Memphis blues uma surpresa que talvez valha até uma versão em DVD, com o registro da turnê. Na marota e percussiva Early in the morning, o pianista de Nova Orleans Allen Toussaint e o veterano B.B. King dividem as atenções. Rollin and tumblin, de Muddy Waters, redescobre os vocais de Ann Peeble, cantora de blues e soul lançada nos anos 70 pelo célebre selo Hi. A sonoridade do álbum, com metais, piano e clima de bar de beira de estrada, tem a mesma cara vintage de proveta encontrável em discos como Back to black, de Amy Winehouse. Para os fãs brasileiros, tem como bônus a baladinha blues I don't want to cry, com Leo Gandelman ao saxofone. JORNAL DO BRASIL / por Ricardo Schott

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